A rara doença que impede as pessoas de sentir medo

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Viver sem medo: o enigma de uma condição rara. Imagine uma vida onde o medo simplesmente não existe, uma realidade para um punhado de pessoas com uma condição extraordinária. Para a maioria, o medo é um companheiro sempre presente, uma emoção primitiva que moldou a sobrevivência desde o início dos tempos. Mas imagine entrar em uma montanha-russa, pular de um avião ou encarar uma cobra, tudo sem o menor aumento nos batimentos cardíacos ou uma descarga de adrenalina. Este é o mundo de indivíduos como Jordy Cernik e aqueles com a raríssima doença de Urbach-Wiethe. Esse distúrbio genético, encontrado em apenas algumas centenas de pessoas em todo o mundo, destrói a amígdala, a minúscula região do cérebro em forma de amêndoa que tradicionalmente se acredita ser a sede do medo. Sem ela, ameaças comuns, como casas mal-assombradas, filmes de terror, animais perigosos, evocam nada além de curiosidade. Na verdade, uma paciente famosa, conhecida como SM, tornou-se uma maravilha científica depois que repetidas tentativas de assustá-la falharam de forma espetacular. Ela se aproximava de aranhas e cobras com curiosidade e permanecia imperturbável por cenários aterrorizantes que deixariam a maioria de nós tremendo. No entanto, essa ausência de medo tem um preço. A amígdala não processa apenas o terror; ela também guia nossos instintos sociais. Sem ela, os limites se confundem: SM, por exemplo, se sente confortável cara a cara com estranhos. Ela é sociável e calorosa, mas sua incapacidade de sentir o perigo a levou a situações perigosas, incluindo ser ameaçada à mão armada. Ela não consegue captar expressões de medo nos outros, um ponto cego emocional que pode tornar a navegação pelo mundo repleta de riscos invisíveis. Mas a história do medo no cérebro é mais sutil. Enquanto a amígdala orquestra nossa resposta a ameaças externas, como um maestro que comanda a orquestra de luta ou fuga, as ameaças internas são gerenciadas de forma diferente. Quando SM inalou dióxido de carbono em um experimento, ela experimentou um ataque de pânico completo, apesar de sua amígdala ter sido destruída. Isso revelou que o tronco cerebral, não a amígdala, desencadeia o pânico a partir de sinais internos, como a sensação de asfixia. Na verdade, a amígdala normalmente pode suprimir esse medo avassalador e, sem ela, os pacientes são mais vulneráveis ao pânico repentino de dentro de seus próprios corpos. Esses casos extraordinários oferecem uma lente para entender por que o medo evoluiu. Em todo o reino animal, a amígdala atua como uma ferramenta de sobrevivência, aguçando nossos sentidos para ameaças. Animais sem ela raramente sobrevivem na natureza. E, no entanto, no mundo moderno, onde a existência cotidiana é menos repleta de perigos mortais, a necessidade de medo não é tão clara. Talvez, como esses raros indivíduos nos mostram, a emoção primitiva que uma vez nos manteve vivos possa se tornar um fardo, levantando a questão de saber se algumas das ansiedades que nos assombram hoje podem ser mais prejudiciais do que protetoras. A vida daqueles que não sentem medo ilumina tanto o poder quanto as armadilhas dessa emoção mais antiga, lembrando-nos de que o medo, apesar de todos os seus desconfortos, é uma parte complexa e essencial do que nos torna humanos.
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