CEO do Snapchat: por que a distribuição se tornou a barreira mais importante | Evan Spiegel
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Há quinze anos, Evan Spiegel aprendeu algo que hoje, com a explosão da inteligência artificial, todos estão finalmente entendendo: o software não é uma barreira defensiva. Qualquer funcionalidade, mesmo a mais revolucionária, pode ser copiada em poucos meses por um concorrente com mais recursos. A surpresa é a seguinte: hoje, para quem quer criar um produto duradouro, a verdadeira barreira não é mais a tecnologia. É a distribuição. Não é o produto perfeito, nem o algoritmo mais sofisticado. Mas sim a capacidade de colocar sua ideia nas mãos das pessoas certas, em larga escala. A tese de Spiegel é clara: o mercado recompensa quem consegue conquistar a atenção e a confiança dos usuários, não apenas quem inventa o novo recurso. E, se você observar os poucos exemplos que realmente fizeram sucesso depois do Snapchat – o TikTok e o Threads –, o segredo está bem aí. O TikTok investiu bilhões para pagar criadores e usuários, literalmente comprando os dois lados do seu marketplace. O Threads aproveitou a distribuição colossal da Meta, que pode, com um clique, levar um novo aplicativo a centenas de milhões de usuários. Por outro lado, quem acha que basta ter o produto certo se depara com a realidade: hoje as pessoas baixam muito menos aplicativos, não existe mais aquela ânsia por novidades que havia em 2010. Spiegel conta que, no início, o Snapchat cresceu não porque era a rede social com mais amigos, mas porque conectava as pessoas aos seus laços mais próximos – o parceiro, o melhor amigo – em vez de tentar conectar todo mundo com todo mundo. A verdadeira força era o relacionamento profundo, não a quantidade. A identidade do Snap como inovador, então, tornou-se quase uma faca de dois gumes: toda vez que eles inventavam algo – dos Stories aos óculos de RA – o mercado os copiava. Mas ele diz claramente: prefiro ser copiado do que irrelevante. A verdadeira defesa é construir ecossistemas difíceis de replicar: uma plataforma de criadores, uma comunidade de desenvolvedores de lentes de RA, hardware como o Spectacles que ninguém consegue clonar rapidamente. E, acima de tudo, a distribuição. Nos bastidores da Snap, a regra é a seguinte: se você quer ter uma boa ideia, precisa ter muitas. Assim que você entra para a equipe de design, é imediatamente chamado para apresentar trabalhos, questionar ideias, produzir sem parar – e aceitar críticas constantes. Não importa de onde você vem ou onde já trabalhou, o que importa é a variedade do que você consegue propor e a história por trás de cada projeto. O verdadeiro designer, diz Spiegel, não é aquele que tem um estilo único e reconhecível: esse é o artista. O designer é aquele que sabe se reinventar para atender às necessidades das pessoas, sempre com empatia e abertura. E aqui vem a segunda reviravolta: a estrutura interna da Snap foi projetada para promover o diálogo entre pequenas equipes, sem hierarquias, e uma organização maior, necessária para suportar o peso de um bilhão de usuários. A inovação surge justamente da tensão entre esses dois mundos: a agilidade dos criativos e a solidez do sistema. Spiegel também conta como, nas primeiras versões do Snapchat, o feedback dos usuários foi fundamental – não para atender literalmente aos pedidos (“coloquem o botão 'Enviar para todos!'”), mas para entender as verdadeiras necessidades ocultas e responder com soluções originais, como os Stories, que revolucionaram a maneira de as pessoas se expressarem online. E há um detalhe histórico que poucos se lembram: a função de notificação quando alguém faz uma captura de tela, desenvolvida em um verão na casa do pai de Spiegel, tornou-se um pilar da privacidade percebida pelos usuários e foi criada justamente para responder ao ceticismo daqueles que não acreditavam em fotos que desaparecem. Hoje, com o advento da inteligência artificial, a verdadeira barreira não será mais a capacidade de escrever código ou inventar recursos: a IA tornará muito mais fácil criar produtos. Mas, como diz Spiegel, nenhuma IA pode resolver o problema da distribuição. E mesmo os efeitos de rede, que pareciam a defesa definitiva, não são mais suficientes quando tudo é replicável e o valor passa a residir na conexão autêntica com os usuários. Há uma perspectiva que poucas pessoas levam em consideração: enquanto todos estão obcecados pela tecnologia, Spiegel afirma que o verdadeiro fator decisivo será a capacidade de colocar a humanidade no centro de tudo. As pessoas não adotam cegamente as novidades: haverá uma reação social muito forte contra algumas mudanças trazidas pela IA, e quem não levar em conta a resistência humana corre o risco de fracassar, mesmo com o produto mais avançado. Em resumo, a verdadeira questão não é mais “como proteger meu software”, mas “como construir uma ponte entre minha ideia e o mundo e como criar algo que as pessoas realmente queiram integrar ao seu dia a dia”. Se você acha que basta ter um recurso inovador para vencer, já está atrasado: hoje, quem vence é quem consegue chegar primeiro e de forma mais eficaz às mãos das pessoas certas. Se essa ideia mudou sua perspectiva, no Lara Notes você pode marcar isso com I'm In – escolha se é um interesse, uma experiência ou uma convicção que agora diz respeito a você. E se, daqui a alguns dias, você se pegar contando a alguém como o Snapchat derrotou os gigantes não com tecnologia, mas com distribuição, no Lara Notes você pode marcar quem estava com você: Shared Offline é a maneira de dizer que aquela conversa foi importante. Esta Nota foi inspirada no Lenny's Podcast e economiza 66 minutos do seu tempo.
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CEO do Snapchat: por que a distribuição se tornou a barreira mais importante | Evan Spiegel