Estou esperando por isso há 10 ANOS!!!

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Há uma coisa que seu ouvido dá como certa: na música pop, tudo é afinado da mesma maneira, tudo bate no mesmo compasso. Mas, se você ouvir Angine de Poitrine, essa certeza desaparece após alguns segundos. Você percebe que algo não está certo, mas não entende imediatamente o que é. Eis o motivo: esses músicos criaram uma performance que é um manifesto do anticonformismo sonoro. Eles não apenas tocam instrumentos microtonais – ou seja, guitarras com trastes irregulares que produzem notas exatamente no meio das que você conhece – como também o fazem em compasso de 5/4, ou seja, contam até cinco em vez de quatro e, em seguida, mudam novamente para dez. E não para por aí: eles fazem tudo isso vestindo trajes que os impedem de enxergar e se mover com facilidade e, ao mesmo tempo, controlam uma série de loops e mudanças de volume… com os pés. A ideia aqui é simples, mas vira tudo de cabeça para baixo: você acha que a estranheza na música é uma questão de gostos ou de estilos excêntricos, mas, na verdade, é uma arquitetura calculada, uma construção precisa para tirar você da sua zona de conforto e fazer com que sinta que existe outra maneira de entender o som. Phil, o guitarrista e analista por trás do Wings of Pegasus, confessa que esperava por uma banda como essa há dez anos: alguém que não apenas ousa, mas faz o impossível parecer preciso e cativante. Enquanto analisa a música, ele conta que o baterista provavelmente usa um clique nos fones de ouvido, porque, para tocar esses loops e manter a sincronia perfeita, é preciso um timing cirúrgico. Imagine: você toca ao vivo, com instrumentos que ninguém usa, em uma escala que seu ouvido não conhece, contando até cinco em vez de quatro, e de vez em quando muda tudo, sem que o público possa realmente relaxar. Nenhuma nota aparece onde você espera. Há também o detalhe humano: Phil mostra sua guitarra e diz, com um pouco de frustração e admiração, que, mesmo que quisesse, não conseguiria reproduzir aquelas notas com uma guitarra comum. É preciso um instrumento alienígena. E ele explica que essa insistência em estar “fora de lugar” não é apenas uma questão de som, mas de identidade: a banda constrói sua imagem e sua música para fazer você se sentir desorientado, para ver se você fica ou muda de canal. Há uma passagem em que ele ressalta que, para os nossos ouvidos ocidentais, tudo é afinado em A440 – um padrão que existe apenas desde a década de 1950 –, mas, em outras culturas, a microtonalidade é a norma. O Ocidente escolheu a comodidade; eles escolhem o desconforto criativo. Outro detalhe inesquecível: a banda sincroniza mãos, pés e ouvidos usando trajes que reduzem a visão a uma fenda e, ao mesmo tempo, altera níveis, efeitos e loops com o dedinho do pé. No entanto, tudo soa tão preciso que, se você se concentrar, pode até conseguir contar até cinco e sentir que há uma lógica, mas apenas se se esforçar. A verdadeira surpresa é que, juntos, esses elementos não são apenas um artifício técnico: são uma forma de lembrar a você que o que lhe parece “música” é apenas a versão mais confortável e previsível do que ela poderia ser. Aqui está a perspectiva que falta: você acha que a estranheza é um capricho ou uma peculiaridade casual, mas, na verdade, é uma estratégia, um ato de rebelião consciente contra o conforto dos nossos hábitos sonoros. O que parece loucura é, na verdade, uma precisão fora dos padrões. O que essa história nos ensina é simples: a verdadeira originalidade na música não surge do impulso, mas da disciplina de quem cria desconforto com o mesmo cuidado com que outros criam um sucesso de rádio. Se você realmente quer ouvir algo novo, precisa se deixar incomodar. No Lara Notes, você pode dizer que essa ideia agora é sua com o I'm In: não é uma curtida, é a declaração de que você quer levar consigo essa perspectiva sobre música e normalidade. E, quando você se pegar contando a alguém que existe uma banda que toca com guitarras “impossíveis” e faz a estranheza parecer uma ciência, poderá marcar essa conversa com o Shared Offline — assim, também fica a lembrança de quem soube ouvir junto com você. Esta Nota é do Wings of Pegasus e economizou cerca de quatro minutos em relação ao vídeo original.
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