O objetivo final da SpaceX de Elon Musk

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Em 2024, Elon Musk pediu ao governo dos Estados Unidos permissão para lançar até um milhão de satélites no espaço. Não mil, nem dez mil: um milhão. E o detalhe mais insano é que metade dos satélites já em órbita, cerca de 14.000 dos 28.000, já são dele, operados pela SpaceX. O que está em jogo não é apenas uma Internet mais rápida, mas o controle sobre quem pode se conectar, onde, quando e como – literalmente em qualquer lugar da Terra. A tese é a seguinte: a batalha pelo domínio do espaço não é uma corrida tecnológica, mas uma disputa de poder sem precedentes, na qual Musk pretende se tornar uma espécie de soberano da infraestrutura digital global. Pensamos nas redes como um bem público, mas, na verdade, elas estão se tornando o domínio de poucos indivíduos com uma influência nunca antes vista. Musk não está apenas sonhando com Marte: ele está protegendo a órbita terrestre baixa para que nenhum concorrente possa mais entrar nela. E, mesmo que seus projetos mais visionários fracassem, o verdadeiro tesouro está aqui: a Starlink. A Starlink já é a maior provedora de Internet via satélite do mundo, com mais de 10 milhões de usuários em pelo menos 150 países. Se você já pegou um voo da United ou da Qatar Airways, pode ter usado a Starlink sem saber. Mas há um detalhe que poucas pessoas sabem: Musk já usou seu poder para desligar ou ligar a Internet em zonas de guerra. Na Ucrânia, por exemplo, ele restringiu o acesso à Starlink tanto para ucranianos quanto para russos, dependendo do momento, influenciando diretamente o curso do conflito. Na Venezuela, após a captura de Maduro, ele tornou a Starlink gratuita para a população. Esse não é o poder de um gerente de tecnologia: é o poder de um chefe de Estado. O próximo passo é o mais ambicioso. Musk quer que a Starlink funcione diretamente em smartphones, sem a necessidade de hardware dedicado — chega de antenas “pizza box”. Ele já tem acordos com mais de uma dúzia de operadoras de telefonia móvel para cobrir as “áreas sem sinal” onde os celulares comuns não têm cobertura. Mas ele não se contenta com isso. Ele quer que a Starlink se torne uma operadora global, capaz de funcionar em qualquer celular, em qualquer canto do planeta. Musk afirma: “Você deveria poder ter uma Starlink da mesma forma que tem uma AT&T ou uma T-Mobile”. E a nova geração de satélites promete aumentar a velocidade móvel em 3.000%. Por trás dessa corrida também está a Amazon, que acaba de gastar mais de 11 bilhões de dólares para adquirir a GlobalStar e fechou um acordo com a Apple para levar a internet via satélite ao iPhone e ao Apple Watch. Mas Musk tem uma vantagem: se ele ocupar a órbita antes dos outros, ninguém mais poderá entrar. E é aí que entra a reviravolta mais preocupante. Com o controle da Starlink, Musk pode decidir quais aplicativos você usa gratuitamente e quais não, uma prática chamada “zero-rating”. A Starlink já testou essa fórmula: os aplicativos disponíveis gratuitamente por meio da T-Satellite incluem o X e o Grok, mas não o Instagram nem o ChatGPT. Se ele ampliasse essa prática, poderia levar milhões de pessoas — especialmente nos países mais pobres — a usar apenas seus serviços, simplesmente porque são gratuitos. E tudo isso está relacionado à sua cruzada contra o que ele chama de “vírus da mente woke”. Desde que comprou o Twitter, agora X, Musk reativou centenas de contas de extrema-direita, removeu quase todas as regras de moderação e promoveu suas ideias políticas por meio do algoritmo. Com o Grok, seu chatbot “orgulhosamente incorreto”, e a Grokipedia, sua alternativa à Wikipedia, Musk está construindo um ecossistema fechado no qual ele controla o discurso, as informações e a infraestrutura. Não se trata de vencer debates públicos, mas de substituir a própria arena — excluindo a mídia tradicional e se tornando o canal direto para o que as pessoas veem, leem e acreditam. O detalhe que poucas pessoas percebem é o seguinte: enquanto Musk fala em colonizar Marte, ele está conquistando a Terra — com suas próprias regras. E, se a Amazon, a Apple e outras empresas tentarem segui-lo, o risco é uma guerra fria digital entre impérios privados, na qual a neutralidade da rede será apenas uma lembrança. A conclusão é simples: quem controla os satélites decide quem pode falar e quem pode ouvir. Se esta história diz respeito a você, no Lara Notes, você pode clicar em I'm In — não é uma curtida, é a sua maneira de dizer: agora, esta ideia é minha. E se, daqui a alguns dias, você se pegar contando a alguém que metade dos satélites em órbita são de Musk e que ele pode decidir quem fica conectado ou não, no Lara Notes você pode voltar e marcar quem estava com você. Isso se chama Shared Offline. Este artigo é da The Atlantic, e acabei de poupar quase quinze minutos da sua leitura.
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O objetivo final da SpaceX de Elon Musk

O objetivo final da SpaceX de Elon Musk

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