O que faz de Terence Tao “o melhor matemático vivo do mundo”
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Terence Tao já resolvia problemas de matemática no ensino fundamental quando tinha apenas sete anos e precisava de uma almofada para alcançar a mesa. Mas o mais intrigante não é sua precocidade: é que a genialidade de Tao não se parece em nada com a imagem clássica do gênio solitário. Até mesmo seus colegas o chamam de “o Mozart da matemática”, mas outros, como Daniel Peralta, o veem mais como um Leonardo da Vinci moderno: alguém capaz de transformar qualquer área da matemática que abordar e, ao mesmo tempo, manter uma humildade desarmante. Somos ensinados a ver os gênios como figuras isoladas, que resolvem tudo de dentro de uma torre de marfim. Tao derruba esse mito. Hoje, a verdadeira genialidade matemática é, acima de tudo, coletiva e colaborativa. Tao nasceu na Austrália em 1975; aos dois anos, já ensinava crianças mais velhas a contar. Sua mãe, Grace, também matemática, foi sua primeira companheira de brincadeiras numéricas. Quando criança, ele pedia à avó que desenhasse números com sabão nas janelas enquanto ela as limpava. Aos nove anos, seu pai o levou ao Instituto de Estudos Avançados de Princeton, onde matemáticos como Charles Fefferman o desafiaram com problemas avançados. Fefferman, ganhador da Medalha Fields, chegou a dizer: “Se eu tivesse dito que esse menino não tinha talento, teria sido um dos maiores erros da minha vida”. Aos 14 anos, Tao começou a universidade; aos 16, já tinha um mestrado e, aos 21, um doutorado em Princeton. Na UCLA, ele foi o professor titular mais jovem da história. Nas fotos daquela época, ele aparece ao lado de lendas como Paul Erdős, mas o que mais impressiona as pessoas ao seu redor não são os prêmios — Medalha Fields, Breakthrough Prize, entre outros —, mas sua atitude: ele ouve mais do que fala, responde com calma e nunca se gaba. Tao conta que, quando criança, a matemática era seu refúgio. Ao contrário da biologia ou da química, onde precisava memorizar informações, com os números ele sentia que tudo podia ser deduzido a partir de regras básicas. O inglês, por outro lado, era sua pior matéria: certa vez, pediram que ele escrevesse sobre sua casa e ele, literalmente, fez uma lista de cômodos e móveis. Mas Tao nunca se sentiu uma aberração. Sim, ele era o mais novo da turma, mas lembra que “depois de algumas semanas, ninguém ligava para a idade, porque todos nós tínhamos a mesma dificuldade com os problemas difíceis”. E o mito do gênio solitário? Ele mesmo o desconstroi. Segundo Tao, há cem anos a matemática podia ser mais individual, mas hoje o campo é tão vasto que ninguém consegue dominar tudo. Resolver um problema envolve primeiro entender o que os outros fizeram; 90% do trabalho, segundo ele, é absorção e colaboração. E não apenas com colegas atuais: quando você estuda uma demonstração, é como conversar com Newton, Gauss ou Erdős. Tao insiste que os grandes avanços surgem da abertura e da diversidade: publicações acessíveis, financiamento público e, acima de tudo, universidades onde pessoas de diferentes países, culturas e interesses se encontram e trocam ideias. Existem muitos exemplos: algoritmos matemáticos desenvolvidos por equipes diversas revolucionaram desde a ressonância magnética até as telecomunicações. É por isso que ele se preocupa com a possibilidade de que cortar o financiamento ou limitar a imigração possa apagar essa faísca. A nova imagem que Tao propõe: o gênio não é quem pensa sozinho, mas quem constrói pontes, conecta mentes e faz com que os outros vejam o invisível. Ninguém chega longe sozinho, nem mesmo o melhor matemático do mundo. Se você achava que a genialidade era uma façanha solitária, Tao prova o contrário: o verdadeiro avanço está em unir mentes e compartilhar descobertas. Se alguma ideia desta história surpreendeu você, no Lara Notes, você pode marcá-la com I'm In: assim, você declara que agora ela faz parte da sua perspectiva. E, se você acabar contando a alguém sobre o garoto prodígio da almofada no ensino médio ou sobre como a colaboração supera o gênio solitário, poderá registrar essa conversa com o Shared Offline — essa é a maneira de guardar na memória os diálogos importantes no Lara Notes. Esta Nota é baseada em uma reportagem publicada pela BBC News Mundo e poupou mais de quinze minutos da sua leitura.
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