Vendas de Páscoa de chocolates: o que acontece com os produtos não vendidos?
Germanto
Se você passar pelo supermercado esta semana, verá coelhinhos de Páscoa dourados da Lindt por toda parte – e ninguém vai querer comprá-los. Algumas lojas chegam a dizer que os coelhinhos de chocolate estão “pesados como chumbo” nas prateleiras. Normalmente, a maioria das pessoas pensa que o que sobra é simplesmente derretido, reembalado e vendido como Papai Noel. Mas isso é bobagem total – e há muito mais por trás dessa história. A crença comum é a seguinte: os fabricantes simplesmente trocam um pouco a embalagem dos chocolates de Páscoa e de Natal e ganham o dobro. Na verdade, acontece o contrário: fabricantes como Lindt, Milka ou Ferrero produzem chocolates totalmente novos para cada estação. O que não é vendido não fica armazenado até o ano seguinte, porque os custos de armazenamento por si só seriam altos demais. Além disso, derreter e reembalar é até proibido por lei. A realidade é muito menos espetacular – e surpreendentemente humana. Um vendedor da Rewe conta: seus coelhinhos dourados da Lindt, com 200 gramas de chocolate ao leite, custam quase nove euros – 8,99, para ser exato. Para muitas pessoas, isso era simplesmente caro demais, principalmente porque, de acordo com a Associação de Consumidores de Hamburgo, os produtos de Páscoa deste ano estavam até 25% mais caros do que em 2023. E isso apesar de o cacau ter ficado recentemente ainda mais barato no mercado mundial. A Lindt justifica os preços pelo aumento dos custos de energia, embalagem e sustentabilidade. No entanto, para muitos clientes, o limite foi atingido. O resultado: estoques enormes que agora estão sendo vendidos a preços baixíssimos – e o varejo aposta que, no ano que vem, ninguém mais pagará nove euros por um coelho de chocolate. A maioria das pessoas agora acha que esses coelhinhos serão reciclados ou terão os rótulos trocados em algum lugar, mas isso não é verdade. O que não é vendido não acaba como Papai Noel no inverno nem no estoque para a próxima Páscoa. Em vez disso, os supermercados muitas vezes doam os excedentes gratuitamente para organizações sem fins lucrativos – um fim silencioso para um coelho dourado que ninguém quis. E esse é o verdadeiro paradoxo: o chocolate, que era caro demais como produto premium, acaba indo parar nas mãos de pessoas que, de outra forma, talvez nunca pudessem comprá-lo. O que falta nessa história é a perspectiva dos pequenos produtores ou dos consumidores, para os quais um aumento de 25% no preço dos chocolates de Páscoa também é um problema real. E se o mercado ousasse simplesmente reduzir radicalmente os preços — não apenas depois da Páscoa, mas antes dela? Talvez, nesse caso, sobrassem menos coelhinhos e fosse preciso doar menos chocolates. Coelhinhos da Páscoa com desconto não se transformam em Papais Noéis – na melhor das hipóteses, acabam sendo uma pequena alegria para pessoas que, de outra forma, nunca os teriam recebido. Se essa perspectiva sobre as sobras de chocolate fizer você se questionar, pode clicar em Lara Notes I'm In – assim, você diz: vou levar isso comigo. E, se você contar a história do coelho dourado na próxima pausa para o café, clique em Lara Notes Shared Offline – assim, outras pessoas também saberão que essa história não ficou esquecida na prateleira. Esse foi o Lara Notes, inspirado no site stern.de – e você economizou mais de cinco minutos de histórias sobre supermercados e chocolates.
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